Marta Leonardo, conhecida como Mestra Martinha do Coco, é uma das grandes referências da cultura popular candanga, artista e moradora do Paranoá, no Distrito Federal, onde vive há mais de 30 anos. Sua arte e ativismo em prol do feminino, das tradições populares e da cultura negra fazem dela uma figura central no cenário cultural candango.

Nascida em Olinda, Pernambuco, tinha apenas 17 anos quando subiu em um ônibus com os irmãos para virem encontrar a mãe, que trabalhava como empregada doméstica em Brasília. Ao chegar à capital federal, morou em diferentes casas do Plano Piloto, onde trabalhou como copeira e babá até o início da década de 90, quando o anseio de toda uma vida se tornou, enfim, realidade: uma casa própria para a mãe no Paranoá. Martinha e a  família se engajaram no movimento de luta por moradia que naquele período ocupou e reivindicou a regularização das terras em volta da zona central de Brasília. 

Mestra Martinha iniciou sua carreira artística cantando samba de coco no grupo de percussão da Organização Tambores do Paranoá (TAMNOÁ) e é uma das fundadoras do Ponto de Cultura Tambores do Paranoá. Desde 2006, quando começou sua carreira solo, realizou apresentações em diversos eventos, tanto dentro quanto fora do Distrito Federal, incluindo festivais de música e cultura popular.

Em 2013, o Ministério da Cultura concedeu a Martinha o título de Mestra da Cultura Popular, reconhecimento que reflete sua importância na promoção da cultura popular no DF. Como mulher negra e periférica, ela é uma referência de tradição para os moradores do Distrito Federal e anualmente promove o pré-carnaval de rua com o bloco Segura o Coco.

Martinha foi homenageada pela Câmara Legislativa do DF (CLDF) em 2019, quando recebeu uma honraria junto a artistas que se dedicam à valorização e preservação da cultura popular brasileira, como Tico Magalhães e Mestra Maria Sena. Essa homenagem foi parte das celebrações do Dia do Patrimônio Cultural, e reconheceu artistas locais que contribuíram para a história, cultura e educação de Brasília.

Mais recentemente, em 2024, Mestra Martinha do Coco foi agraciada com o 5° Prêmio Marielle Franco de Direitos Humanos na categoria “Arte e Cultura”, em reconhecimento ao seu ativismo e contribuição significativa para as transformações sociais por meio da arte. Este prêmio, entregue pela CLDF, destaca personalidades que atuam em favor de mudanças sociais no Distrito Federal.

Também em 2024, a artista alcançou outro importante feito: a inauguração da Casa de Cultura Martinha do Coco. Um importante e simbólico espaço para a difusão e manutenção das diversas expressões populares e afro-candangas. O espaço fica na casa conquistada pela família, em que, durante muito tempo, sua mãe firmou moradia e deixou história. É um território com uma trajetória de longa data vinculada à cultura do Distrito Federal, onde se produzem os trabalhos, atividades e festejos que Mestra Martinha realiza na comunidade do Paranoá há mais de 10 anos.