Sob a direção de Tamatatiua Freire – mais conhecida como Jamelinha da Mangueira ou simplesmente Tamá Freire, filha do saudoso mestre Teodoro Freire –, o grupo Bumba Maria Meu Boi se destaca por ser constituído exclusivamente por mulheres, buscando fortalecer a identidade cultural e comunitária das participantes da cidade de Sobradinho-DF.
O nome Bumba Maria Meu Boi foi inspirado no trabalho de especialização de Tamá na UnB, intitulado Entre linhas, matracas e ladainhas: As Marias do Boi de Teodoro.
Fundado em 2020, o grupo nasceu no âmbito do amplo projeto cultural Circuito Candango de Culturas Populares, promovido pelo Instituto Rosa dos Ventos. Criado em parceria com a Associação de Mulheres de Sobradinho, o grupo oferece oficinas de música, dança e percussão. A proposta visa reunir mulheres de todas as idades, promovendo rodas de socialização e troca de vivências entre as participantes. A construção de algumas peças do figurino é realizada em conjunto com as Marias, enriquecendo ainda mais a experiência.
Os encontros periódicos, abertos à comunidade, culminam na apresentação do Auto do Boi, que circula em projetos e eventos culturais do DF. A saída do Boi maranhense é cheia de música, teatro, dança, batuque e cantos típicos. Entre os pilares que fundamentam a criação do grupo está o incentivo à participação feminina em atividades culturais, considerado um processo essencial para a valorização das mulheres, que muitas vezes não têm seu protagonismo reconhecido em uma sociedade ainda marcada por preconceitos.
Em 2021, durante o período pandêmico, quando as apresentações culturais presenciais não eram possíveis, o Bumba Maria Meu Boi, ainda no contexto do Circuito Candango de Culturas Populares, transpôs os encontros para o formato audiovisual. Protagonizadas por Tamá Freire, as vídeo-rodas configuram 8 vídeos que visam compartilhar conhecimento e experiências sobre a rica tradição do bumba meu boi.
Desde sua criação, o Bumba Maria Meu Boi não apenas promove a cultura popular por meio de projetos e apresentações culturais, mas também atua como um espaço de empoderamento e aprendizado, refletindo a força e a resiliência das mulheres envolvidas no projeto.




